Os Tipos de Prótese de Joelho variam conforme a extensão do desgaste articular e a tecnologia de fixação, sendo classificados em Prótese Total (ATJ), Parcial (Unicompartimental) e assistida por robótica. A escolha entre modelos cimentados ou sem cimento, bem como materiais como titânio ou cerâmica, depende da idade do paciente, da qualidade óssea e do nível de atividade física desejado após a cirurgia.

Nota de Autoridade: A tecnologia de implantes evoluiu para permitir uma anatomia customizada. Para compreender como esses modelos se encaixam na jornada do paciente, leia nosso Guia Completo sobre Prótese de Joelho. Artigo revisado pelo Dr. Juliano Francisco (CRM-DF 12961).

A Evolução da Engenharia Ortopédica: Tipos de Implantes

A escolha da prótese ideal não segue um padrão único. Na ortopedia moderna, tratamos o joelho como uma estrutura biomecânica individualizada. O objetivo dos diferentes tipos de prótese de joelho é replicar a cinemática natural da articulação, minimizando o atrito e maximizando a durabilidade do polietileno.

Em nossa experiência clínica, observamos que o sucesso a longo prazo (superior a 20 anos) está diretamente ligado ao equilíbrio entre o design do componente e a técnica de fixação ao osso hospedeiro.

1. Prótese Total de Joelho (ATJ) vs. Prótese Parcial

A primeira grande decisão do cirurgião é definir quanto da articulação precisa ser substituído.

Artroplastia Total de Joelho (ATJ)

É a substituição de todos os três compartimentos do joelho. É indicada quando a artrose é generalizada. Existem dois designs principais aqui:

  • Preservação de Ligamento (Cruciate Retaining): Mantém o Ligamento Cruzado Posterior (LCP) do paciente, oferecendo uma sensação mais próxima do joelho natural.
  • Estabilizada Posterior (Posterior Stabilized): Substitui a função do LCP com um pino e came mecânico. É ideal para pacientes com ligamentos muito danificados ou deformidades severas.

Artroplastia Unicompartimental (Parcial)

Se apenas um lado do joelho (geralmente o medial) está desgastado, podemos preservar os outros dois compartimentos saudáveis. As vantagens são imensas: menor incisão, menor perda sanguínea e uma recuperação 30% mais rápida que a total.

2. Fixação: Cimentada, Sem Cimento ou Híbrida?

Como a prótese se “prende” ao osso é um dos pontos mais importantes para a estabilidade primária.

Próteses Cimentadas

Utilizam o polimetilmetacrilato (cimento ósseo) para criar uma interface sólida imediata. É a técnica mais utilizada no mundo, especialmente em pacientes idosos ou com osteoporose leve, pois permite carga total imediata após a cirurgia.

Próteses Sem Cimento (Fixação Biológica)

Os componentes possuem uma superfície porosa de tântalo ou titânio que estimula o osso a crescer para dentro da prótese (osteointegração).
Insight Clínico: Esta técnica é preferencial para pacientes jovens e ativos, pois evita a degradação da camada de cimento ao longo das décadas, embora exija uma qualidade óssea impecável para o sucesso inicial.

3. Materiais: A Luta contra o Desgaste

A durabilidade de uma prótese depende do par tribológico — as superfícies que se tocam e geram atrito.

  • Ligas de Cobalto-Cromo: Extremamente resistentes, usadas nos componentes femorais.
  • Titânio: Usado principalmente nos componentes que tocam o osso, devido à sua excelente biocompatibilidade.
  • Polietileno de Ultra-Alto Peso Molecular (UHMWPE): O “plástico” de alta tecnologia que atua como cartilagem artificial. Versões modernas são infundidas com Vitamina E para reduzir a oxidação e o desgaste.
  • Oxinium (Zircônio Oxidado): Uma liga metálica com superfície cerâmica que reduz o atrito e é ideal para pacientes com alergia ao níquel.

4. A Revolução da Cirurgia de Joelho Robótica

A tecnologia robótica (sistemas como Mako, ROSA ou NAVIO) não é um tipo de prótese, mas uma tecnologia de **implantação de precisão**. O robô utiliza uma tomografia ou mapeamento em tempo real para criar um modelo 3D do seu joelho.

Por que a robótica muda o jogo?

  1. Preservação de Tecidos: Os cortes ósseos são limitados pela “zona de segurança” do robô, protegendo ligamentos e nervos.
  2. Alinhamento Milimétrico: Um erro de 3 graus no alinhamento manual pode reduzir a vida útil da prótese em anos. O robô reduz essa margem para menos de 0,5 grau.
  3. Balanceamento Dinâmico: O software analisa a tensão dos ligamentos em todo o arco de movimento (de 0 a 120 graus) antes mesmo do cirurgião realizar o primeiro corte.
Tipo de Tecnologia Indicação Principal Principal Benefício
Prótese Fixa (Fixed Bearing) Idosos / Baixa demanda Estabilidade máxima
Prótese Rotatória (Mobile Bearing) Pacientes mais jovens Menor desgaste do polietileno
Navegação Digital Casos de deformidade complexa Precisão angular sem robô

Personalização: Próteses Customizadas 3D

Em casos selecionados, utilizamos guias de corte impressos em 3D especificamente para a anatomia daquele paciente. Através de uma ressonância magnética prévia, a indústria fabrica instrumentos descartáveis que se encaixam perfeitamente no joelho do paciente, tornando a cirurgia mais rápida e personalizada.


Perguntas Frequentes (FAQ) – Tipos e Tecnologia

1. Qual a melhor marca de prótese de joelho?

Não existe uma “melhor marca”, mas sim grandes fabricantes globais (como Stryker, Zimmer Biomet, Smith & Nephew e DePuy Synthes) que dominam o mercado com implantes de alta performance. A melhor prótese é aquela com a qual seu cirurgião tem mais familiaridade e que melhor se adapta à sua anatomia.

2. Prótese de titânio ou cerâmica: qual dura mais?

Geralmente, o componente femoral é de Cobalto-Cromo ou Oxinium (cerâmica sobre metal). A cerâmica (Oxinium) tem mostrado menor taxa de desgaste do polietileno em testes laboratoriais, sendo uma excelente opção para pacientes que pretendem manter uma vida ativa por mais décadas.

3. Posso fazer a cirurgia sem cimento?

Depende da sua densidade óssea. Se houver osteoporose, o cimento é necessário para garantir que a prótese não “afunde” no osso. Em pacientes jovens, com osso forte, a fixação biológica (sem cimento) é uma tendência crescente.

4. A cirurgia robótica dói menos?

A dor cirúrgica é similar, mas como o robô permite cortes mais precisos e menor manipulação dos tecidos moles (ligamentos e músculos), o edema pós-operatório costuma ser menor, o que facilita uma fisioterapia menos dolorosa nas primeiras semanas.

5. O que é uma prótese de “revisão”?

É um tipo especial de implante, com hastes mais longas e travas metálicas, usado quando uma prótese antiga falha ou quando há perda óssea severa. Ela é mais robusta para garantir estabilidade onde o osso original está comprometido.


Referências

Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Atualização em Tecnologias de Artroplastia de Joelho.

American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS). Orthopaedic Implants: Materials and Design Evolution.

The Bone & Joint Journal. Long-term survivorship of cementless vs cemented total knee arthroplasty.

International Journal of Medical Robotics and Computer Assisted Surgery. Robotic-assisted vs manual TKA: A meta-analysis.